domingo, 12 de março de 2017

Filmes: "Kong: A Ilha da Caveira"

MACACO BATIDO 

Não chega a ser tão ruim quanto o “King Kong” do Peter Jackson, mas não é nem de perto a aventura palpitante e original que o trailer fazia prever.

- por André Lux, crítico-spam

É difícil entender essa obsessão que o cinema comercial estadunidense tem com macacos. Vira e mexe aparece um filme com eles como protagonistas nas telas. A mais vista é a história do King Kong, que já teve trocentas versões e agora ressurge nesse “Kong: A Ilha da Caveira”. Não chega a ser tão ruim quanto o “King Kong” do Peter Jackson, mas não é nem de perto a aventura palpitante e original que o trailer fazia prever.

Apesar de realmente ter algumas sequências muito interessantes e bem fotografadas, “Kong” erra ao não investir num enredo minimamente original, limitando-se à batida fórmula de colocar um grupo de pessoas perdidos na floresta tentando ir do ponto A ao ponto B dentro de uma janela de tempo específica, enquanto são atacados por todos os tipos de criaturas.

Embora tente construir um clima de suspense em relação ao que os cientistas poderão encontrar na Ilha da Caveira, o roteiro faz com que todos sejam derrubados por um ataque do gorila gigante logo de cara em uma sequência que, embora muito bem feita, acaba sendo por demais inverossímil e irritante até. Afinal, não seria possível que todos aqueles helicópteros ficassem praticamente parados à frente do King Kong ou rodando em volta dele ao alcance do seu braço! É uma situação por demais forçada só para fazer com que todos se esborrachem na ilha e sejam obrigados a improvisar com o que restou dos equipamentos para tentar escapar.

Não há qualquer tentativa de aprofundar os personagens ou mesmo construir relações plausíveis entre eles, sobrando para o pobre Tom Hiddleston (o Loki, de “Thor”) a ingrata tarefa de soltar frases de efeito e bancar o herói. Samuel L. Jackson se perde num personagem tosco e apela para caretas indignas de seu talento, enquanto coadjuvantes do peso de um John Goodman são completamente desperdiçados. O único que livra a cara é John C. Riley que faz um soldado que caiu na ilha durante a segunda guerra mundial e aparece com uma barba hilária e solta as melhores tiradas do filme.

Apesar de ter sido produzido pelo mesmo pessoal que fez o novo “Godzilla”, esse filme não tem nada do charme e originalidade dele, que ao menos tinha um roteiro o qual tentava contar uma história minimamente diferente do habitual “monstro invade cidades e destrói tudo enquanto o exército o ataca” e fazia de tudo para esconder a criatura até a apoteose final. Aqui vão direto na jugular do espectador, mostrando Kong e os outros monstros de cara e de forma excessiva, o que apenas ajuda a diluir qualquer tentativa de suspense, fator que é exacerbado pelo falta de carisma dos personagens humanos e a insistência deles em agirem como perfeitos imbecis o tempo todo.

Os efeitos especiais são bons, porém repetitivos e as supostas homenagens a outros filmes, como “Apocalipse Now” e “Platoon” parecem mais paródias. A trilha musical composta por um dos clones do abominável Hans Zimmer também não deixa qualquer marca, o que é lamentável para esse tipo de obra.

Pode ser que eu tenha entrado com a expectativa alta demais, mas a culpa é dos trailers que venderam o filme com algo que ele não é. Dá pra assistir, porém conseguiram, assim como Peter Jackson, fazer algo pior do que a versão de 1976 que mostrava um homem fantasiado de King Kong pisando em miniaturas...

Cotação: * * 1/2

quarta-feira, 8 de março de 2017

Filmes: "Logan"

CANSOU

Filme não cumpre o que prometia e funciona mais como despedida de Hugh Jackman ao personagem


- por André Lux, crítico-spam


“Logan” é certamente o melhor filme solo do Wolverine, o mais idolatrado dos X-Men. Mas isso não quer dizer muito, afinal os dois primeiros foram bem ruinzinhos. Hugh Jackman faz sua nona aparição como o personagem nos cinemas e promete que é a última (mas nunca diga nunca em Roliudi!). Ele nem faz muita questão de esconder o cansaço que sente em atuar na pele do mutante nervosinho novamente.

A melhor coisa do filme é o primeiro ato, que mostra Logan no futuro, algo em torno de 2029, completamente exaurido e vendo seus poderes de regeneração cada vez mais fracos, ao que parece por causa de envenenamento pelo Adamantium (mas isso não é explorado satisfatoriamente). Ele ganha a vida dirigindo uma limusine enquanto vive escondido no meio do deserto, junto com dois outros mutantes, sendo um deles o professor X (o sempre confiável Patrick Stewart) que aqui vive sob o efeito de remédios que o impedem de ter convulsões poderosas que podem causar fatalidades (fala-se um pouco sobre um evento desses que teve trágicas repercussões, inclusive sobre os X-Men, porém é tudo bem vago e mal explorado).

Os produtores do novo filme parecem ter finalmente ouvido os fãs do personagem que sempre reclamaram da violência “censura livre” dos longas anteriores e aqui, pela primeira vez, vemos o Wolverine arrancando sangue de seus antagonistas, muitas vezes de forma gratuita e exagerada.

“Logan” esquenta quando entra em cena uma menina mutante que pode ou não ser filha dele e possui os mesmos poderes. Ela está sendo perseguida por algum tipo de agência não-governamental e a cena de luta e fuga do esconderijo no deserto é realmente muito boa e emocionante justamente por fugir dos clichês do gênero.

Pena que o filme tenha que continuar e, depois de outra boa cena dentro de um hotel, comece então a derrapar, tornando-se apenas mais um daqueles filmes de perseguição de gato e rato, com os protagonistas sempre um passo à frente dos perseguidores. A partir daí “Logan” repete velhos clichês e torna-se banal. Algumas coisas são irritantes, como eles aceitarem o convite de uma família para jantar, quando obviamente já deveriam estar carecas de saber (especialmente o professor X) o que esse tipo de envolvimento com civis inocentes vai acarretar.

Outra cena ridícula é quando assistem a um vídeo de celular onde uma pessoa explica didaticamente as ações dos vilões no laboratório, toda editada, com narração e cenas que a pessoa certamente não teria como filmar. Uma bobagem inacreditável e dispensável.

Não faz muito sentido a obsessão dos bandidos em perseguir os fugitivos, muito menos seus planos. Aparece até um clone do Wolverine, mais indestrutível ainda, mas que pouco acrescenta e só serve para deixar tudo mais confuso e repetitivo. No final vira uma besteira de perseguição no meio do mato, com o protagonista correndo e matando gente entre uma árvore e outra em uma sequência praticamente idêntica ao que já vimos no segundo “X-Men”. Sua opção por ajudar os fugitivos também soa forçada, afinal não conseguiram firmar um vínculo emocional entre eles. Nem mesmo a derradeira cena do personagem título tem muito impacto, parece telegrafada e só vai emocionar mesmo os fãs mais ardorosos.

O filme vem recebendo muitos elogios, mas não chega a cumprir o que prometia. É uma pena, pois Wolverine certamente merecia bem mais que isso...

Cotação: * * *

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Marisa Letícia Lula da Silva: Golpe produz seu primeiro cadáver

NÃO HÁ DE SER INUTILMENTE

A perseguição ignóbil ao marido Lula, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia tivesse a saúde atingida.

- por Leandro Fortes, jornalista

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A morte de Dona Marisa Letícia é o triunfo físico da narrativa de ódio reinaugurada pela direita brasileira, a partir da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, contra as forças reacionárias capitaneadas pela candidatura de Aécio Neves, do PSDB.

Em sua insana odisseia pela retomada do poder, ainda quando o TSE contabilizava os últimos votos das eleições presidenciais, Aécio e sua turma de mascarados se agregaram, não sem uma sinalização evidente, aos primeiros movimentos da Operação Lava Jato e com ela partiram, sob os auspícios do juiz Sergio Moro, para a guerra de tudo ou nada que se seguiu.

Foi esse conjunto de circunstâncias, tocado pela moenda de antipetismo e ódio de classe azeitada diuturnamente pela mídia, que minou a saúde de Dona Marisa, não sem antes submetê-la ao tormento da perseguição, do constrangimento, da humilhação pública, da invasão cruel e desumana de sua privacidade.

A perseguição ignóbil ao marido, Luiz Inácio Lula da Silva, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia, a discreta primeira-dama nascida na luta e na construção dos Partidos dos Trabalhadores, tivesse a saúde atingida.

Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.

Nem que para isso fosse preciso levar à morte uma mulher digna, honesta e dedicada aos seus e ao País.

Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam.

Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa.

Na hora certa, daremos o troco.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Filmes: "Animais Noturnos" (*spoilers*)

MONSTROS HUMANOS

"Quem são esses animais noturnos que, travestidos de seres humanos, andam pelo mundo destruindo a vida de quem ousa amá-los, sem compaixão, empatia ou remorso?", questiona o diretor Tom Ford.

- por André Lux, crítico-spam


“Animais Noturnos” é um filme brutal, difícil de assistir, porém excepcional na forma como traduz em palavras e imagens a dor experimentada por alguém que teve sua vida destruída por uma pessoa na qual confiava cegamente e para a qual se entregou de corpo e alma.

"Quem são esses monstros que, travestidos de seres humanos, andam livremente pelo mundo destroçando a vida de quem ousa amá-los, sem qualquer traço de compaixão, empatia ou remorso?", questiona o diretor e roteirista Tom Ford.

Trata-se de um “filme dentro de um filme”, no qual a protagonista Susan (feita pela doce Amy Adams) recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal, perfeito com sua eterna cara de bom moço), que ela traiu e abandonou no momento em que ele estava mais fragilizado há mais de 20 anos em troca de uma vida frívola ao lado de um homem arrogante e ambicioso, tudo que o outro não era.


Uma das cenas mais emblemáticas do filme se dá quando Susan vai jantar com sua mãe conservadora, racista, homofóbica e que é totalmente contra seu casamento com Edward, o qual ela julga “fraco e pobre”, fatores que, segundo ela, hoje encantam a filha, mas que com o tempo vão afastá-la dele. “Não sou como você, mãe”, responde a moça de maneira petulante, recebendo como resposta a lapidar frase: “Não é agora, querida. Mas no final, todas nos tornamos iguais aos nossos pais”.

Embora rica e vivendo uma vida regada a festas e vernissages (ela e o marido são promotores de artes), Susan é infeliz, vazia e vê seu marido tornando-se cada vez mais frio e distante, ao ponto de nem tentar disfarçar mais que a trai regularmente com mulheres mais novas.


A mãe à filha: "Eu sou você, amanhã"
Já o livro do ex-marido mostra uma família composta por um casal e sua filha viajando pelas estradas do Texas de noite. A uma certa altura, são abordados por caipiras bêbados liderados por um psicopata que acabam estuprando e matando as duas mulheres, deixando Edward para viver com a culpa e a dor de não ter tido forças para reagir e salvar a sua família (ele foi “fraco”). A investigação é comandada por um policial feito pelo Michael Shannon, o Zod do horrível “Homem de Aço”, que vai encontrando os criminosos um a um, sempre com a presença de Edward. No final, o protagonista mata os assassinos de sua família, mas acaba também morrendo no processo.

Ao mesmo tempo em que lê o livro angustiada, Susan vai relembrando de sua vida ao lado de Edward, da cumplicidade e do amor que sentiam um pelo outro e, principalmente, da maneira fria e calculista com que o abandonou, jogando nas costas dele todos os motivos pelo suposto fracasso da relação (ele é "fraco", humilha ela). Não bastasse isso, ela faz um aborto e “mata” o filho dos dois, já acompanhada e motivada pelo novo namorado.


Graças à leitura do livro e das memórias da vida anterior, Susan começa a se sentir humana novamente e marca um encontro com Edward em um restaurante chique, só para ficar horas esperando por ele, que não aparece. O filme termina com um close de sua face angustiada. Só ali, no final, é que ela se dá conta do que se tratava realmente a estória narrada no livro do ex-marido: ao abandoná-lo e tirar o filho dele, ela destruiu sua vida, o matou de certa forma, assim como fizeram os psicopatas no livro ao matarem a família do protagonista. 

Assim, o livro de Edward era de certa forma uma catarse e também uma vingança, pois mostrava que no final das contas quem havia morrido era Susan, justamente por ter matado a única coisa realmente boa que teve na vida. E tudo isso em troca de frivolidades e da busca por prazeres mundanos totalmente desprovidos de humanidade e de sentido. O desespero demonstrado por Amy Adams na cena derradeira de “Animais Noturnos” é a constatação de que a protagonista havia, afinal, entendido que era ela quem estava morta em vida há muito tempo e não Edward, como ela e o atual marido costumavam debochar.

Infelizmente, esse tipo de “revelação” só acontece nos filmes, já que os “animais noturnos” como os descritos na obra são, com raríssimas exceções, incapazes de autocrítica e jamais entenderão ou mesmo se importarão com as vidas que destruíram em seu caminho rumo à conquista de suas ambições fugazes, sejam elas quais forem. Todavia, a arte permite às pessoas que passaram por esse tipo de experiência monstruosa que se expressem e se conectem com outros, promovendo ao menos algum tipo de reflexão e regozijo ao saber que não estão sozinhas. E ainda dá uma bofetada na cara dessa atual sociedade do consumo onde sensibilidade e fragilidade são cada vez mais rotuladas como fraqueza, principalmente nos homens.

“Animais Noturnos” é um daqueles filmes que vão passar em branco para a maioria das pessoas, até porque tem um final aberto e vai exigir um mínimo de inteligência do espectador para conectar os pontos e fechar o quadro maior, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.

É um prato violento, angustiante e difícil de digerir, mas é uma experiência visceral que, de certa forma, ajuda a encarar monstros internos que só serão realmente derrotados quando forem entendidos e, acima de tudo, perdoados. Algo que eles jamais fariam a si mesmos caso tivessem algum tipo de consciência.

Cotação: * * * * *

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Filmes: "Rogue One - Uma História Star Wars"

FAN-SERVICE DE MENOS

Problemas na pós-produção e falta de desenvolvimento dos protagonistas impedem que filme se torne uma entrada realmente memorável no cânone de “Star Wars”

- por André Lux, crítico-spam

“Rogue One” é a primeira derivação (ou spin-off como chamam nos EUA) oficial de “Star Wars” lançada nos cinemas e faz parte da onda de produtos relacionados à saga criada por George Lucas em 1977 desde que ele vendeu tudo para a Disney.

Ou seja, é um filme que se passa no mesmo universo, porém sem se concentrar na linha de tempo da família Skywalker, que é a mola propulsora dos 7 episódios originais. Tanto é que “Rogue One” já começa direito na ação, sem os famosos letreiros e música tema de “Star Wars” e situa-se exatamente antes do episódio 4 “Uma Nova Esperança”, mostrando como é que os rebeldes conseguiram colocar as mãos nos planos da Estrela da Morte.

A direção é do mesmo sujeito que fez o novo e excelente “Godzilla”, Gareth Edwards, porém a pós-produção foi conturbada, ao ponto de demitirem o compositor Alexandre Desplat e refilmarem certas sequências, o que é sempre um mau sinal, pois indica geralmente que os executivos do estúdio acharam que o filme não tinha apelo comercial suficiente para as massas. Isso acarretou em uma nova montagem e muitas cenas importantes de desenvolvimento dos personagens certamente foram parar no lixo, já que tudo parece acelerado e raso, impedindo uma maior conexão e empatia com eles.

Os primeiros dois terços do filme são truncados, com os protagonistas viajando de um lugar para o outro enquanto encontram outros personagens que acabam se juntando a eles de maneira pouco convincente. O problema, como já disse acima, é que as cenas onde tais eventos seriam aprofundadas devem ter sido cortadas para deixar o filme mais curto e dinâmico, mas acaba acontecendo o contrário, pois o excesso de idas e vindas e a falta de cenas de interação entre os protagonistas deixa-o um pouco tedioso.

É só na terceira parte mesmo que a coisa esquenta e temos uma batalha suicida muito boa que acontece na superfície de uma base imperial e no espaço. Embora falte o apelo emocional que sobra nos três primeiros filmes da saga (IV, V e VI), é mil vezes melhor do que as batalhas tolas dos prelúdios (I, II e III) que mostravam bonecos digitais irritantes destruindo robôs sem graça. Ao menos conseguimos ver Darth Vader detonando na tela de uma maneira totalmente inédita e que muitas fãs sempre sentiram falta. Nesse sentido, “Rogue One” acaba pecando justamente por fazer pouco “fan service”, que é aquele recurso de enfiar no meio da narrativa situações ou personagens da série original. Sem dizer que falta humor, todo mundo é sério e carrancudo e o único alívio cômico é o robô imperial que foi reprogramado, mas mesmo suas tiradas soam forçadas e baratas.

Os atores principais também são fracos, principalmente o mexicano Diego Luna que é muito franzino e com cara de pernilongo para convencer como guerreiro rebelde e galã romântico, tanto é que ele e a mocinha (Felicity Jones, bem sem graça também) nem chegam a trocar um beijo. O vilão central, diretor Krennic, também é feito por um ator fraco e caricato, a mesma coisa acontecendo com o piloto imperial desertor. O personagem do cego com habilidades ninja não funciona, pois nunca ficam claras as extensões dos poderes dele (ele repete um mantra sobre a Força, mas não é Jedi, embora lute como um, mas sem sabre de luz).


O filme também se dá o luxo de desperdiçar o excelente Mads Mikkelsen em um papel que poderia ter sido bem melhor desenvolvido, igual fizeram com ele em “Doutor Estranho”. Todo mundo está reclamando de terem recriado digitalmente o personagem de Peter Cushing, como o governador Tarkin em “Uma Nova Esperança”, mas eu achei muito bem feito e sinceramente não me incomodou, além de ser uma bonita homenagem ao grande ator da Hammer. A princesa Leia nem tanto, mas confesso que chorei quando ela apareceu... Coisa de nerd, não tem jeito.

O compositor Michael Giacchino foi chamado às pressas para criar uma nova trilha musical após a partitura de Desplat ter sido rejeitada e fez um bom trabalho tendo apenas 4 semanas para finalizar, incorporando de maneira inteligente os temas clássicos de John Williams, embora algum material temático novo não funcione como deveria, principalmente o tema principal e o associado ao vilão imperial. Mas não é nada que atrapalhe.

Gostei também que o personagem feito por Forest Whitaker chama-se Saw Gerrera, uma óbvia referência ao guerrilheiro Che Guevara, que também lutava contra o fascismo e era considerado extremista até pelos seus companheiros, mas mesmo assim um herói. Pena que seja tão mal usado e suma de maneira muito besta. Tiveram o cuidado também de recriar com perfeição a armadura original de Darth Vader que era um pouco diferente do que vimos em “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”, já que em “Uma Nova Esperança” ela era meio pobre e sem brilho, certamente devido às limitações financeiras na época.

Enfim, o filme é perfeitamente desfrutável e vai agradar aos fãs, porém os problemas na pós-produção certamente acabaram impedindo que “Rogue One” realmente se tornasse uma entrada memorável no cânone da saga “Star Wars”. O que é uma pena. Tomara que lancem uma versão estendida do filme.

Cotação: * * *


sábado, 10 de dezembro de 2016

GOLPISTAS NÃO COMBINARAM COM OS RUSSOS


Quando a Gestapo do juizeco Moro prendeu um dos donos da Odebretch ficou claro que o plano da direita era quebrar a espinha dorsal da economia do Brasil: a construção civil e a Petrobrás. Só assim, com a economia em frangalhos, teriam força para derrubar Dilma. O plano deu certo.

Mas, naquela época, fiz uma pergunta: será que combinaram com os russos? Ou seja, será que a família Odebretch tinha aceitado participar desse esquema golpista ao ponto de sacrificar um de seus filhos?

Hoje nós descobrimos a resposta. Não, eles não combinaram com os russos e a Odebretch resolveu enfim se vingar da quadrilha que tomou conta do poder no Brasil, delatando todos eles, inclusive tucanos, peemedebistas e demonistas de alta plumagem.

Quais consequências isso vai ter, não sei ainda. Provavelmente nenhuma ou quase nenhuma, já que todos recebem proteção máxima dos seus capangas travestidos de jornalistas na mídia grande, no Ministério Público e na Justiça.

Todavia, uma coisa é certa: nunca mais vão poder posar de “homens de bem” honestos e imaculados, exceto claro, para aqueles dementes que acham que o PT é o grande satã e que tudo que sai contra seus “heróis” é armação ou mentira.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A FOTO MAIS OBSCENA DESTES NOSSOS TEMPOS


"Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos"


- por Leandro Fortes, em seu Facebook 

No futuro, essa foto, mais do que qualquer outra imagem, será a representação simbólica desses dias de caos e desesperança.
É o instantâneo de todo o absurdo em que vivemos: um clarão sobre as personagens tétricas de uma ópera bufa patrocinada por uma revista que, hoje, é o emblema máximo da indigência moral da mídia e dos jornalistas brasileiros.
Nela, estão todas as deformações possíveis que resultaram do golpe parlamentar que derrubou uma presidenta eleita e jogou o País no lixo da História: o presidente ilegítimo, o juiz parcial, o senador patético, o governador bestial e o ministro sem sentido.
Que o juiz da região agrícola e o senador multicitado na Lava Jato tenham sido flagrados entre sussurros e risadas, não há de admirar ninguém.
Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Destruição a Jato: a tragédia do Brasil de Moro

Excelente vídeo mostra como a Lava Jato e sua atuação completamente enviesada e partidarizada destruiu a economia do Brasil para dinamitar o governo Dilma e acelerar o golpe contra a democracia. Se depois de ver esse filme continuar relichando, melhor buscar um bom psiquiatra, pois seu caso é grave.

ZEITGEIST: assista ou continue relinchando

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Leandro Fortes: "MORO ESTÁ FUGINDO"


Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

- por Leandro Fortes, jornalista

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar odiscurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.


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Excelente vídeo mostra como a Lava Jato e sua atuação completamente enviesada e partidarizada destruiu a economia do Brasil para dinamitar o governo Dilma e acelerar o golpe contra a democracia. Se depois de ver esse filme continuar relichando, melhor buscar um bom psiquiatra, pois seu caso é grave.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Coerência não é teu forte, coxinha



Filmes: "A Chegada"

DE ARREPIAR

É muito bom ver que o cinema comercial estadunidense ainda é capaz de lançar filmes com uma mensagem de tolerância, entendimento e paz tão arrebatadora

- por André Lux, crítico-spam


É sempre muito bom ver que o cinema comercial estadunidense ainda é capaz de lançar filmes como “A Chegada”, ricos em significados e com uma mensagem de tolerância, entendimento e paz tão arrebatadora. Certamente é a mais inteligente ficção científica séria desde “Contato”, com Jodie Foster.

O filme é dirigido por Dennis Villenueve, um franco-canadense que tem uma obra de respeito mundo afora, mas de quem que eu só vi “Incêndios”, certamente um dos filmes mais perturbadores que dos últimos tempos, ao ponto de ter que parar de assistir no meio, tamanho o impacto. Ainda não tive coragem de continuar, mas agora serei obrigado. Fez também “Sicario”, mas esse realmente achei banal por causa da trama sobre o combate ao narcotráfico na fronteira entre EUA e México, um tema por demais batido e tolo. Está dirigindo também a nova versão (ou continuação) de “Blade Runner”e por isso esse projeto aparentemente suicida ganha minha simpatia por hora.

Mas seu estilo de direção preciso e sua segurança narrativa certamente chegaram ao ápice aqui, no que poderia ser descrito como um “Independence Day” levado a sério, afinal trata-se da “invasão” de várias naves desconhecidas que até se parecem com as do filme-pipoca de Roland Emmerich. Mas as semelhanças terminam por aí, pois o foco de “A Chegada” está nas tentativas dos humanos de se comunicarem com os alienígenas e na construção de um entendimento entre as duas linguagens.

Neste quesito o filme é primoroso ao mostrar como a boa comunicação é fundamental para gerar equilíbrio, harmonia e paz. Ou vice-versa, isto é, pânico, desentendimentos e conflitos em qualquer esfera de relacionamentos. Impossível desgrudar os olhos da tela quando os cientistas começam a tentar se comunicar com os aliens, em sequências de tirar o fôlego que se beneficiam em grande parte pela atuação natural e sincera de Amy Adams, que até agora só tinha aparecido em comédias românticas ou com a namorada do Superman nos horríveis filmes do “Homem de Aço”.

Não bastasse isso, “A Chegada” também brilha ao mostrar como os diferentes tipos de linguagem e comunicação podem mudar a percepção da realidade das pessoas e como o tempo é precioso e pode ter diferentes tipos de impacto em nossas vidas. Os diversos flashbacks que mostram o relacionamento da linguista com uma criança (e que depois descobrimos ser algo totalmente diferente) são a chave para a descoberta dos mistérios dos visitantes e servem para deixar a mensagem do filme ainda mais emocionante. Impossível conter as lágrimas durante a conclusão, certamente uma das mais estimulantes apresentadas pelo cinema recentemente, ao ponto de fazer você querer assistir ao filme novamente com urgência.

O início e a conclusão da obra são pontuados por uma bela música composta por Max Richter, chamada “On the Nature of Daylight”, enquanto o restante da trilha de autoria de um certo Jóhann Jóhannsso é formada por uma partitura praticamente atonal e calcada em sonoridades que buscam realçar o clima de suspense e estranheza dos contatos imediatos.

Não há muito mais o que dizer. Vá e veja. É de arrepiar.

Cotação: * * * * *

sábado, 26 de novembro de 2016

ADEUS, FIDEL


Quem conhece a história da revolução cubana sabe a importância e o significado que existem por trás de Fidel Castro, um grande homem, mas um ser humano como todos nós, com qualidades e defeitos, erros e acertos. Essas pessoas entendem o que simboliza a morte dele e lamentarão. Os outros... vão continuar relinchando como de costume.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

BLACK MIRROR


Acabei de assistir à primeira temporada da série "Black Mirror" e é realmente assustadora, afinal retrata uma sociedade futura bastante plausível. 

O melhor episódio pra mim foi o segundo, "Fifteen Million Merits", que mostra o que seria o sonho do sistema neoliberal que hoje domina o mundo: seres humanos totalmente isolados um dos outros,vivendo apenas para ganhar créditos que serão usados para comprar lixo virtual por meio de uma tela que domina suas vidas completamente. 

Quanto tempo falta para chegarmos a isso, eu me pergunto?

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Filmes: "Doutor Estranho"

MAIS DO MESMO

Filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis

- por André Lux, crítico-spam


Está havendo uma saturação de filmes sobre super-heróis nos cinemas, com Marvel e DC competindo para ver quem lança mais filmes no ano. Até agora a Marvel tem levado a melhor, com filmes dinâmicos, curtos e divertidos, enquanto a DC se perde em produções pesadas, longas e irritantes.

Surge agora esse “Doutor Estranho”, criado por Stan Lee e Steve Ditko, um médico arrogante que sofre acidente (extremamente exagerado no filme), sai em busca de uma cura para sua condição e acaba virando um poderoso mago.

Uma premissa até interessante, mas que acaba sendo desperdiçada por um roteiro que copia fórmulas já utilizadas antes nos outros filmes baseados em quadrinhos, principalmente “Batman Begins” e “Homem de Ferro”, e em soluções visuais que lembram demais “A Origem” e até “Matrix”. Ou seja, é mais do mesmo.

Não gosto muito do ator Benedict Cumberbatch, que faz o protagonista, pois atua sempre de forma posada, fria e artificial, fatores que impedem qualquer empatia com os personagens que representa. O filme falha em explicar a mudança na personalidade do sujeito, que teria que se livrar do seu enorme ego para conseguir praticar as magias, algo que acontece de forma absolutamente superficial – aparentemente, basta ser abandonado no meio do Himalaia e, pronto, você vira uma pessoa super humilde e capaz de abrir portais dimensionais imediatamente.

Também não fica claro de onde vem os poderes mágicos do Doutor Estranho (ele retira sua força do universo ou isso é algo que vem de dentro dele?), muito menos quais são extensões e regras deles, um problema que atrapalha a maioria dos filmes de super-heróis atualmente (como o Thor, por exemplo, que em uma cena só consegue voar depois de girar seu martelo, mas em outra sai voando sozinho e pega o martelo no ar).

O filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis, culminando com uma batalha contra os vilões, cujo líder aqui é o ótimo ator dinamarquês Madds Mikelsen totalmente desperdiçado, exceto por uma única cena onde ao menos tem um longo monólogo durante o qual tenta dar alguma profundidade aos atos do seu personagem.

Claro que os fãs do personagem e de quadrinhos em geral vão dar uma banana pra tudo isso que escrevi e certamente adorarão o filme, que em última instância foi feito para eles mesmo. O resto dos mortais talvez não ache tanta graça assim, infelizmente.

Cotação: * *
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